Vale a pena trabalhar temporariamente em outro país?

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A fisioterapeuta Martha viveu a experiência de trabalhar temporariamente nos Estados Unidos da América. Em 2016, partiu para a badalada cidade de Seattle, onde, por indicação da comunidade brasileira local, conseguiu prestar serviço de massoterapia a moradores da capital do Estado de Washington. Seus clientes eram, em sua maioria, funcionários de grandes corporações, como a Microsoft, a Google e a Amazon, com histórico de stress causado pela cansativa rotina da indústria de tecnologias.

A sua primeira temporada em solo americano foi muito lucrativa. Em seis meses, a brasileira amealhou, entre honorários e tips (gorjetas), uma boa quantia de dólares. Martha não revela o valor, mas diz que foi o suficiente para manter-se no Brasil sem trabalhar até o início de 2017, quando retornou à cidade americana. Desta vez, e antes que o regime anti-imigração do presidente Donald Trump fizesse efeito, Martha levou consigo o casal de filhos adultos, mas com o objetivo de trabalharem em serviços gerais, como limpeza e manutenção residencial e babysitter.

Martha já ŗetornou ao Brasil, mas os filhos ficaram. Seu visto de permanência vencera e a ideia de permanecer trabalhando “fora do status” não a agradou, principalmente depois que teve um problema com a polícia local, numa ocorrência de trânsito. Na ocasião, Martha teve de gastar todo seu precário inglês para convencer a “Xerife” a não enquadrá-la por desacato. “Eu acho que a mulher não gostou da forma como eu me apresentei. Estendi a mão para cumprimentá-la e ela mandou que eu me virasse e colocasse as mãos sobre o carro”. Martha diz que os americanos são tensos e não afeitos a contatos físicos com pessoas estranhas.  

Mesmo com os bons resultados alcançados da experiência de trabalhar fora, Martha diz que é muito diferente estar em solo americano como turista e como trabalhador temporário. O governo americano facilita as coisas para quem vem conhecer o País, comprar bens de consumo, mas, segundo ela, não é fácil um brasileiro viver o sonho americano.  “Os americanos são educados para consumir tudo e a toda hora. Eles tem muito dinheiro para gastar. O governo protege e incentiva seus cidadãos. É da cultura deles. Você entra em um supermercado para comprar um litro de leite e fica mais de meia-hora para escolher entre dez marcas diferentes”, conta.

Em sua residência, no Brasil, enquanto desfaz as malas, Martha mostra as bugigangas de dois dólares que trouxera. “Aqui eu vendo a 20 e 30 reais cada. Lucro mais de cem porcento”, calcula. Martha sentiu falta da família, do marido e da sua casa. A saudade a fez se reconectar à realidade brasileira e com todos os seus problemas. Com todas as dificuldades encontradas, o balanço de Marta é positivo. “A comunidade brasileira é bastante receptiva e os americanos são bem generosos”. Nos Estados Unidos há muito trabalho para quem se dispõe a realizar serviço braçal. “Os gringos gostam da gente, mas são um pouco soberbos”, analisa.

 

Parece que, por enquanto, o governo americano continua a tocar os programas de apoio a imigrantes implementados por Barak Obama. Martha participou de aulas de inglês e noções da cultura americana para os imigrantes e se beneficiou da pouca burocracia para comprar e para obter a carteira de habilitação. Com poucos meses em solo americano, os filhos já compraram carros e possuem licença para dirigir. A maior dificuldade, portanto, é pagar pouco por uma moradia. A opção que encontrou foi alugar um quarto na casa de um brasileiro, onde morava com os dois filhos.

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